Lucas 5:33-39; Mateus 9;14-17; Marcos 2:18-22

Os programas de TV que apresentam quadros de ‘transformação’ de pessoas, cujo ápice se dá quando mostram o antes e o depois, viraram moda no Brasil. Quase sempre se trata de uma pessoa descuidada com a aparência e que é levada para fazer tratamentos de pele, dentário, recebe uma “geral” do cabeleireiro e ganha um “banho de loja”. Depois de todo este processo, a pessoa se sente renovada, pelo menos por algumas semanas.

Lembro-me de um episódio no programa do Luciano Huck, quando ele resolveu visitar uma família um ano depois que esta teve sua casa totalmente reformada pelo quadro “Lar doce lar”.

Mas o que Huck e sua audiência viram foi devastador. A família conseguiu a proeza de voltar à mesma situação ou pior do que estava antes da reforma. A casa estava tão suja e desorganizada como antes. As paredes, que tinham recebido uma nova pintura, agora estavam riscadas, sujas e manchadas. Os móveis novos pareciam sucatas recolhidas depois de uma enchente. A piscina, com sua água esverdeada, parecia um lago cheio de limo. A cena era de terror! Mas o que aconteceu? A intenção do programa até era boa, mas onde estava a falha?

O artigo de hoje nos possibilita encontrar uma resposta para esse terrível fenômeno.

O que acontece quando tentamos costurar um pedaço de pano novo em uma roupa velha? Provavelmente, a roupa velha não se ajustará às mudanças que o pano novo terá depois da primeira lavagem. Da mesma forma, hábitos novos dificilmente se ajustarão a mentes com hábitos velhos. E é exatamente isso que aprendemos com o Coach da Vida.

Jesus continuava focado em sua missão, fazendo milagres e principalmente, ensinando uma nova mensagem que começava a incomodar os velhos religiosos da época. Ao mesmo tempo, sem perder nenhum detalhe, seu pequeno grupo (que ainda não estava completo) o acompanhava por todos os lugares que Ele transitava.

Algo que chamou a atenção dos religiosos que acompanhavam toda aquela movimentação e aos que o observavam de longe, foi que Ele não praticava alguns rituais religiosos. Tanto os fariseus quanto os discípulos de João Batista observavam um dos jejuns praticados pelos judeus, provavelmente um daqueles estabelecidos na Lei de Moisés e que durava dias. Mas Jesus e seus discípulos não estavam participando desta disciplina espiritual, fato que chamou a atenção. Certo dia, eles se reuniram e foram juntos tirar satisfação com Jesus sobre sua falta de respeito com a religião.

— Jesus, por que nós e os fariseus jejuamos muitas vezes, e os discípulos do Senhor não jejuam?

Naquela época e ainda hoje, o jejum era uma das atividades espirituais mais importantes, praticada pela maioria das grandes religiões do mundo. Os judeus, os muçulmanos, os budistas e os hindus, todos praticam o jejum de uma forma ou de outra. Mas quando Jesus começou sua missão terrestre, o fato de não jejuar chamou a atenção dos religiosos ao seu redor. E até o momento, Ele ainda não havia ensinado os discípulos sobre o jejum.

Ao ser perguntado, Jesus não entrou no mérito da questão. Ao contrário, falou de algo novo, que nem os discípulos de João tinham sido capazes de perceber. Cristo iria lhes ensinar que estar com Ele naquele momento liberava os discípulos de praticarem qualquer jejum. Mas como um bom treinador, não respondeu com uma resposta tradicional, respondeu com outra pergunta, pois queria fazê-los pensar:

— Vocês acham que os convidados de um casamento podem estar tristes enquanto o noivo está com eles?

Em seguida, Jesus sabiamente utiliza-se da ilustração do noivo e de seus convidados, que em uma festa de casamento não podiam estar pensando em jejum. Isso não seria coerente. Claro que não! Mas chegaria o tempo em que o noivo seria tirado do meio deles, então sim, eles iriam jejuar!

Ele procurou mostrar que em uma ocasião assim é mais comum a alegria e a descontração dos convidados do que a reverência e a introspecção de jejuar. Jesus não condenava a prática do jejum, apenas queria que as pessoas percebessem que o noivo estava presente e, por isso, seus convidados festejavam. Jesus era o noivo que alegrava a festa, embora muitos não desfrutassem de sua presença.

Uma questão de paradigma

Quais paradigmas precisam ser quebrados em sua vida hoje?

Os fariseus e os discípulos de João eram culturalmente condicionados a jejuar duas vezes na semana, nas segundas-feiras e nas quintas-feiras. Esse jejum de dois dias na semana era um bom exemplo do tradicionalismo incoerente. Esse era um dos muitos paradigmas que precisavam ser quebrados.

Um paradigma pode ser entendido por um exemplo, um modelo, uma referência, uma variável, uma regra, uma estrutura, ou até mesmo um padrão, isto é, algo importante para ser seguido. Podemos dizer que um paradigma é a percepção geral e comum da maioria das pessoas, não necessariamente a melhor forma de ver determinada coisa, seja um objeto, seja um fenômeno ou um conjunto de ideias. Ao mesmo tempo, ao ser aceito, um paradigma serve como critério de verdade, de validação e reconhecimento nos meios em que é adotado.

O lagarto é um tipo de corte da carne bovina e, em algumas regiões, também é chamado de tatu. Ele tem um formato de um cilindro e pesa aproximadamente dois quilos. Minha mãe faz um delicioso assado de panela com esse pedaço de carne recheado com calabresa e legumes, que só em descrevê-lo já dá água na boca. O que esse corte de carne tem a ver com paradigmas? Bem, tenho uma pequena história para explicar o que é um paradigma e que conta com a participação desse ilustre e delicioso corte:

Certa vez, uma menina notou que, quando sua mãe preparava um tatu assado de panela, ela cortava um pedaço que correspondia a aproximadamente vinte por cento (20%) do corte e o guardava no congelador, colocando na panela somente o restante. Intrigada, ela perguntou à mãe por que ela não assava tudo.

Bem, para ser honesta, eu faço isso porque essa é a forma como a minha mãe sempre fazia”, foi a resposta. “Tenho certeza de que ela deve ter alguma boa razão para isso“.

Na próxima reunião de família, a menina decidiu satisfazer a sua curiosidade:

Vovó, por que você sempre corta a extremidade do assado antes de cozinhar e guarda na geladeira?”, perguntou a menina.

Bem, para ser honesta, eu faço isso porque essa é a forma como a minha mãe sempre fazia”, foi a resposta. “Tenho certeza de que ela deve ter alguma boa razão para isso.”

Uma semana depois, a menina foi visitar a bisavó de 90 anos de idade. Ela explicou que mamãe e vovó sempre cortaram um pedaço do corte de carne antes de cozinhar, mas não conseguia lembrar o porquê. A bisavó respondeu:

Mas não acredito que elas não sabem. Eu só cortava o pedaço de carne e guardava na geladeira porque minha panela era pequena demais!

Essa história ilustra como a maioria das práticas são iniciadas para atender a um propósito, mas ao longo do tempo, mesmo a melhor prática pode perder sua utilidade. É preciso ser um líder sábio para saber quando mudar algo. É preciso entender quando é tempo de inovação.

Constatou-se, então, que o jejum daquela época tinha se tornado um paradigma seguido por outros, somente por causa da tradição. Havia se perdido seu valor espiritual ao se tornar uma obrigação e chamava a atenção para si mesmo. Os religiosos permaneciam em seus rituais costumeiros, incluindo a própria prática do jejum (para alguns, um mero ritual), deixando de aproveitar alegremente a companhia daquele que se fez carne para habitar entre nós. Jesus estava ali, mas muitos o procuravam em outro lugar. Não satisfeito com a analogia do noivado, Ele ainda usou a parábola a seguir.

O velho x O novo

Precisamos romper os velhos padrões de conduta para abraçar uma nova vida em Cristo.

Para deixar bem claro e entendido o que acabara de ensinar, Jesus sabiamente retirou da cultura da época mais uma parábola para enfatizar seu ensinamento:

Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres arrebentam, o vinho se perde, e os odres ficam estragados. Por isso acontece o contrário, o vinho novo é colocado em odres novos, e assim não se perdem nem os odres, nem o vinho.

Naquela época, as cabras eram escalpeladas para permitir que o seu couro pudesse ser usado como recipiente para líquidos. Essas peles, recém-curtidas, tinham qualidades elásticas. Mas quando essas peles envelheciam, já não tinham mais a elasticidade de outrora e o processo de fermentação e expansão do vinho novo fazia com que elas se rompessem.

Com esse exemplo, Jesus estava dizendo que o Judaísmo era inadequado e velho demais para receber a visão e as correções de Jesus. Logo, estava se tornando nulo e sem efeito. Jesus estava trazendo um novo conserto e com ele nada mais permaneceria o mesmo.

A nova relação que eles precisavam ter com Deus só combinaria com novas disposições de coração, mente e vontade. Os discípulos dos fariseus e os de João estavam perdendo a oportunidade de desfrutar do vinho novo, já que seus odres (suas mentes) estavam envelhecidos pela tradição e pelos costumes que só os condicionavam a uma velha maneira de viver. Eles tinham dificuldades de romper com esse estilo de vida para receberem o vinho novo de Jesus.

As velhas tradições religiosas estavam impedindo que algumas pessoas pudessem ter uma nova experiência com Jesus. Havia a urgente necessidade de se romper com os velhos padrões de conduta para abraçar uma nova vida em Cristo.

Ainda para reforçar sua tese, Jesus citou mais um exemplo comum da época:

Ninguém usa um retalho de pano novo para remendar uma roupa velha, pois o remendo novo encolhe e rasga a roupa velha, aumentando o buraco.

Naquele tempo, roupas não eram artigos tão fáceis de se produzir devido à falta de recursos naturais, tais como: algodão, linho e seda. Apenas a lã era um pouco mais acessível por existirem muitas criações de ovelhas. Então as pessoas usavam as roupas por muito tempo, a ponto de ficarem velhas, rasgarem e precisarem de remendos, mas elas também sabiam que se as remendassem usando pano novo, no momento em que fossem lavadas, o pano novo encolheria e forçaria a frágil e velha roupa, rasgando-a. Por conta disso, não usavam panos novos para roupas velhas.

Que exemplo impressionante! Jesus sabia como ninguém usar analogias comuns ao povo da época. Faço questão de reforçar: um pano novo ainda não tinha encolhido ao ser lavado, assim o uso do tecido novo em roupa velha causaria o rasgo da roupa velha, pois o pano novo encolheria quando fosse lavado. Do mesmo modo, os odres velhos tinham sido “esticados até ao limite” e se tornado frágeis com o vinho fermentado que havia dentro deles, usando-os novamente, portanto, arriscaria estourá-los. Fantástico!

De uma forma ou de outra, todos nós temos uma aversão a mudar, especialmente quando as coisas parecem estar indo bem. Mas se você está disposto a ter uma chance de um novo relacionamento com Deus, saiba que Ele sempre faz todas as coisas novas (Apocalipse 21:5). Deus não está interessado em preservar o status quo. Ele está comprometido com nada menos que uma ordem ou uma criação totalmente nova.

O mesmo princípio pode ser aplicado em todas as áreas de nossas vidas. Nenhuma mudança externa será duradoura enquanto ainda não mudarmos nossos pensamentos. Por isso hábitos novos dificilmente se ajustarão a mentes com hábitos antigos. No livro O Monge e o Executivo (Sextante, 1998), lemos a seguinte frase: “Aqueles comportamentos que o trouxeram aqui, não serão os mesmos que o manterão aqui”. Uma mudança externa, exigirá uma mudança interna. Como citei no início deste artigo com o exemplo do programa do Luciano Huck, se não houver uma mudança de mentalidade verdadeira, com o tempo, voltaremos a nos acostumar com a sujeira de antes.

Continua no próximo artigo!

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