Descubra o poder do silêncio, baseado nos ensinamentos de Jesus Cristo e seu exemplo.

Marcos 6:31; Salmo 46:10; Salmo 23:1-3; João 8:1-11

Você alguma vez já pensou quanto tempo gasta falando? Anos atrás, eu estava fazendo uma caminhada com dois amigos, na Beira-Mar Norte de Florianópolis, quando finalmente voltamos aos nossos carros, e eu disse a eles: “Vocês notaram que a primeira metade da nossa caminhada demorou muito mais do que nosso retorno ao estacionamento?” Então um dos meus amigos, com um senso de humor irônico, olhou para mim e sorriu: “Isso porque você não parou um minuto sequer de falar no caminho de volta!” Fiquei especialmente envergonhado com o comentário do meu amigo, pois afinal, sou um Treinador.

Vamos entender melhor

Imagine que sua mente é um modem que está cheio até a capacidade e não pode transmitir os dados pelo sinal digital da sua linha telefônica. Sempre quando isso acontece, as orientações que recebo são:

  1. Desligue-o;
  2. Desligue-o do seu computador, da Internet e da tomada;
  3. Aguarde dez segundos para que a memória seja reiniciada;
  4. Reconecte-o ao seu computador, ao serviço de Internet e à tomada elétrica;
  5. Volte a ligá-lo.

Uma das razões pelas quais preferimos falar mais do que ouvir

  • Mente cheia de informações: corremos o risco de sobrecarregar os circuitos do nosso cérebro, esquecendo coisas que estamos tentando lembrar, e pior, sentindo-nos pressionado por não apenas escutar, mas assumir a responsabilidade de lidar ou corrigir o que alguém está nos dizendo. Em essência, a escuta é uma função sensorial e, quando o circuito do cérebro e da mente estão em sobrecarga sensorial, não há espaço para mais nada!

>> Falar é uma função motora: e quando passamos os primeiros 20 segundos de compartilhamento de informações, fazemos isso para aliviar o estresse, liberando espaço nos circuitos do nosso cérebro e em nossa mente. O problema, é que ao superar esses primeiros 20 segundos, despejamos mais do que nosso compartilhamento no cérebro e na mente da outra pessoa. E se o seu cérebro está tão sobrecarregado quanto o meu, adivinhe o que acontece? Ninguém escuta (parecerá que todos estamos em discurso no Congresso Nacional).

Tempo de silêncio com Deus

Tenha um tempo de silêncio a sós com Deus.

Geralmente preenchemos com nossa fala. Mas seria bom alguma vez praticarmos o “aquietai-vos”. Deus disse: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Salmo 46:10). Certa vez, Jesus percebeu que os discípulos estavam tão ocupados que nem sequer tinham tempo para comer, Ele então lhes disse: “Venham repousar um pouco, à parte, em um lugar deserto” (Marcos 6:31).

Quando deixamos as distrações da vida para trás, podemos descansar melhor e redirecionar nossos interesses a Deus.

  • Você tem permitido que momentos de silêncio a sós com Deus façam parte da sua vida?
  • Deseja que Ele restaure a sua alma? (Salmo 23:1-3)
  • Permita que Ele, ensine-lhe como “aquietar-se” nos momentos mais estressantes de sua vida.

Naquela época…

Os líderes religiosos judeus não aguentavam mais ouvir falar sobre a influência de Jesus, e para encurtar seu trabalho, gastavam horas tentando, de alguma forma, dar um jeito de calá-lo para sempre. O jeito era apelar mais uma vez às leis judaicas e usá-las contra Ele. E assim nasceu a ideia de usar o ato do adultério para expor Jesus diante das autoridades judaicas e romanas.

A ideia era realmente fantástica, mas não tão fácil de executar. Iriam preparar uma armadilha para uma mulher e expor Jesus diante do pecado dela. Mas para pegar alguém em adultério e condená-lo em um julgamento judeu, as testemunhas realmente tinham que ter visto o casal praticando o ato,  caracterizado pelos movimentos físicos, para os quais não poderia ter sido dada nenhuma outra explicação. Circunstâncias comprometedoras, como ver um casal saindo de um quarto onde estavam sozinhos, ou até mesmo vê-los deitados na mesma cama, não eram suficientes.

As testemunhas tinham que ter visto esses dois atos ao mesmo tempo, na presença um do outro, para seu testemunho ter validade em um tribunal judaico. Portanto, é muito provável que os escribas e fariseus tivessem preparado uma armadilha para pegar essa mulher e assim prender Jesus sobre os “chifres” de um dilema e acusá-lo. A engenhosidade dessa armadilha era de causar inveja a qualquer inimigo do super-herói Batman.

Jesus tinha algumas escolhas

  • Jesus concordaria que a mulher tivesse que ser apedrejada, comprometendo assim sua reputação como o Salvador dos pecadores
  • Caso não aceitasse, isso o deixaria em apuros com as autoridades romanas, que não davam aos judeus o direito da pena capital.
  • Ou ainda, Ele mostraria sua misericórdia, provando assim que não era a favor da Lei de Moisés, sendo tolerante com o pecado.

Tudo foi minuciosamente planejado. Provavelmente, até o homem que estaria com a jovem, participaria da farsa. Isso é comprovado pelo fato de que eles só levaram a garota pecadora para Jesus. O rapaz seria dispensado. Mas ninguém comete adultério sozinho, certo? Então, onde estaria o homem na hora do confronto? Provavelmente ele estava do lado dos fariseus e, assim, seria permitido a ele escapar.

No dia e hora marcado, lá foram os líderes com suas testemunhas e conforme planejado, pegaram o casal em pleno ato sexual. Imediatamente, com uma raiva brutal e aos gritos, levaram a moça, seminua, arrastando-a pelas ruas estreitas de Jerusalém até Jesus, que no momento pregava no Templo onde havia sempre inúmeras pessoas, muitas das quais provavelmente conheciam aquela moça.

A mulher gritava “Piedade”, enquanto era arrastada, suas vestes iam sendo rasgadas e sua pele sangrando, esfolando-se na terra. Talvez muitos de nós já tivemos a experiência humilhante de ser pego fazendo algo que sabíamos ser errado. Talvez você estava acessando algumas imagens indecentes em seu celular ou em seu notebook quando outro conhecido olhou por cima do ombro para dizer olá. Ou, talvez, em um dia de Verão com as janelas e portas abertas você e seu esposo estavam em uma discussão calorosa quando a campainha tocou e era alguém familiar. Seja lá qual for a situação, com maior ou menor embaraço, todos nós já passamos por isso em algum momento de nossa vida. Mas não importa qual o pecado, ele é sempre embaraçoso. Mas, mesmo sabendo desses possíveis embaraços, guardadas as devidas proporções que cabem a cada um de nós, continuamos a nos arriscar.

Uma série de jogos de computador vêm com uma característica especial chamada a “tecla chefe”. Se você está jogando um jogo, quando devia estar trabalhando, e alguém (como o chefe) entra no seu escritório, você rapidamente aperta a “tecla chefe”. O monitor do seu computador muda imediatamente, escondendo aquilo que estava fazendo. Tentar esconder dos outros quando fazemos algo de errado é natural para os padrões do mundo. Podemos nos sentir culpados, mas o nosso desejo de evitar admitir a nossa responsabilidade é normalmente mais forte do que a nossa culpa.

Se formos sinceros com nós mesmos, reconheceremos que algumas vezes já vestimos as sandálias dessa mulher. Mas nossa tendência será sempre esconder nossos pecados, alguns até preferem morrer a reconhecer certas culpas.

Jesus é confrontado

Qual teria sido a sua atitude?

Os escribas e os fariseus vieram armados com a Lei de Moisés, como uma arma para usar contra a mulher e Jesus. O Coach da Vida estava lá desde de manhã ensinando, como sempre, para uma multidão de pessoas. Sentado, diante de uma audiência atenta, viu chegar uma comitiva barulhenta disposta a tumultuar seu trabalho. Coincidentemente ou não, nesse momento, Ele ensinava aos seus fiéis que:

  • Cada ser humano tem um inestimável valor;
  • A arte da tolerância é a força dos fortes;
  • A capacidade de perdoar está diretamente relacionada à maturidade das pessoas.

Quando trouxeram a mulher adúltera até ele, a intenção era apedrejá-lo juntamente com ela, usá-la como isca para destruí-lo. Chegaram gritando, causando algazarra e provocando. Qualquer um de nós, só por essa atitude, já teria perdido a paciência, principalmente se o escândalo fosse provocado
por perseguidores vorazes. Ao chegarem com a mulher diante dele, a multidão ficou perplexa. Sem pedir licença, imediatamente o interromperam jogando a mulher no chão, bem em sua frente e com um sarcástico sorriso no rosto e em alta voz lhe disseram:

— Mestre, esta mulher foi pega em flagrante adultério. Ora, Moisés nos diz em sua lei que devemos apedrejá-la até a morte, mas o Senhor o que nos diz?

A bomba relógio foi acionada. Era agora apenas uma questão de tempo para a queda de Jesus. Não tinha como ele escapar. Se ele dissesse “Que ela seja apedrejada”, Ele livraria a sua pele, mas destruiria seu projeto transcendental, seu discurso e, principalmente, seu amor pelo ser humano.

Se dissesse “Não a matem!”, Ele e a mulher seriam imediatamente apedrejados, pois estariam indo contra a respeitada Lei de Moisés. Mas qual foi a primeira e antológica resposta do Mestre diante desse grave incidente?

Se você pensou:

  • “Quem não tem pecado atire a primeira pedra! Certo?”, então  errou. Pois essa foi a segunda resposta.
  • A primeira resposta foi o silêncio. Só o silêncio pode conter sabedoria quando a vida está em risco.

Nos primeiros 30 segundos de tensão, cometemos as maiores besteiras de nossas vidas, ferimos quem mais amamos, compramos o que nunca vamos usar, falamos coisas das quais nos arrependemos, tomamos decisões erradas, pois nesses primeiros segundos, agimos sempre no piloto automático.

Por isso, como diz Augusto Cury, o silêncio é a oração dos sábios. O silêncio diz muito mais do que se costuma ouvir de bocas aflitas que jorram aos borbotões palavras atrapalhadas, sem sabor. Por vício ou por natureza, estamos acostumados a nos relacionar mais com a boca. Dela emanam uma verborragia de sons filosóficos, desconexos, repletos de ódio e sem sentido. Em sua maioria, vazios como um balão.

O silêncio pode falar mais que mil palavras

o poder do silêncio

Por outro lado, o silêncio também é resposta. Assume diversas vestimentas, pode ser:

  • Uma pergunta
  • Uma dúvida
  • Um desejo
  • Uma rebeldia
  • E até mesmo crueldade.

Silêncio é sinal de poder em gargantas sábias.

Para o maior Coach de todos os tempos, aquela mulher, ignorada pela sociedade, era mais importante do que qualquer um dos que a acusavam, era uma pedra bruta a ser lapidada. Para Jesus, valia a pena correr riscos para resgatá-la. Por isso Jesus não respondeu nada imediatamente. Fez silêncio. Decidiu pensar antes de falar. Resolveu usar a inteligência, e provavelmente em seu silêncio buscou o diálogo com o Pai em oração. Ao invés de levantar a cabeça e encarar seus adversários dizendo umas poucas e boas, Jesus abaixa-se e começa a escrever qualquer coisa no chão empoeirado do Templo.

Este é o único momento nos Evangelhos em que vemos Jesus escrevendo alguma coisa. Mas a grande questão que você talvez esteja querendo saber é o que Ele escreveu? Ninguém sabe! Quem sabe Ele estava escrevendo os pecados dos fariseus na poeira do piso. Ou talvez Ele estava escrevendo os Dez Mandamentos que Deus escreveu com o dedo nas tábuas de pedra. Ou quem sabe, ainda, Ele estava apenas ganhando um tempo, riscando qualquer coisa no chão, enquanto orava!

O fato é que o silêncio de Jesus deixou os acusadores constrangidos, fazendo-os diminuir a intensidade da raiva, levando-os do sistema límbico para o neocórtex. Sempre que você estiver diante de uma situação complicada, e que lhe exigir uma resposta imediata, pare por um instante. Antes de abrir sua boca, respire por uns instantes, ou abaixe sua cabeça, ou feche seus olhos, ou conte até três, escreva em um chão imaginário, ore, peça a Deus uma resposta sábia ou faça qualquer coisa, mas nunca responda imediatamente.

Um amigo me contou que, quando era criança, seus pais inventaram uma manobra para evitar que ele falasse o tempo todo. Disseram a ele que as pessoas só tinham permissão para falar tantas palavras em uma única vida e, quando gastassem essas palavras, morreriam. Então, desde então ele desenvolveu o hábito de usar as palavras com moderação. Ele me disse que costumava passar um dia inteiro sem dizer uma única palavra e, no final do dia, pensava: “Que bom, acrescentei um dia extra à minha vida!”

Ele parece ter sobrevivido ao truque de seus pais com pouco dano, no entanto, eu não recomendaria aos Pais, que usem essa estratégia com seus filhos. No entanto, não há dúvida de que é uma boa ideia ensinar nossos filhos e praticar em nós mesmos a arte de pensar antes de falar.

Sua habilidade ou incapacidade de controlar sua língua determinará mais do que qualquer outra coisa o nível de sucesso que você desfrutará em seus relacionamentos. Precisamos adquirir o hábito de falar com cuidado. Precisamos aprender a pensar primeiro.

Dica para você levar para a sua vida:

Sempre que você estiver diante de uma situação complicada, e que lhe exigir uma resposta imediata, siga estes passos:

  1. Pare por um instante;
  2. Antes de abrir sua boca, respire por uns instantes, ou abaixe sua cabeça, ou feche seus olhos, ou conte até três;
  3. Escreva em um chão imaginário ou em um papel;
  4. Ore, e peça a Deus uma resposta sábia ou faça qualquer coisa;
  5. Mas nunca responda imediatamente.

 

Saiba mais sobre o livro digital “Jesus Meu Coach” ,
baseado nas lições de Jesus Cristo sobre treinamento e liderança.

Para Pensar e Refletir:

  1. Pare e reflita sobre como você tem agido diante de uma situação. Você reage na hora ou para e pensa?
  2. Você tem o hábito de falar com cuidado (pensa antes de falar)?
  3. O silêncio diante de uma situação é capaz de constranger, pois através dela reflete sabedoria e cuidado.
  4. Comece a cuidar a forma como responde ou reage a uma situação adversa, seja com sua família, na sua faculdade/escola, no seu trabalho, ou seja, no seu dia a dia.

 

0 ComentárioFechar comentários

Deixe um comentário

© Copyright 2020 AncoraThemes  – All Rights Reserved.