João 5:1-18

Como pai, passei muito tempo pensando no meu papel e em como poderia fazê-lo melhor. Lidei muitos dias com gritos, choros, desobediência e manhas que definitivamente insistência em empurrar minha vida em um ritmo terrivelmente improdutivo. 

Muitas vezes, nesses momentos, me peguei desejando que esses momentos se apressassem e que meu filho se tornasse adulto e maduro o mais breve possível. Hoje, quando olho as fotos de sua infância, O mesmo aconteceu em todas as esferas de minha vida e tenho certeza que o mesmo fenômeno também já aconteceu ou acontece com você. Vamos aprender nesse artigo, que entre nosso estado atual e nossos objetivos, existem coisas muito importantes que precisam ser vividas e que sem elas, nossa vida seria sem sentido.

Jesus saiu da Galileia em direção a Jerusalém para participar de um dos festejos judaicos. Aproximou-se do portão das ovelhas, por meio do qual essas eram levadas para serem sacrificadas no Templo. Situada ao lado norte da cidade, havia uma piscina que em aramaico é chamada de Bethesda e significa Casa de Misericórdia. Assim, banhar-se nesse tanque era uma das últimas esperanças para um doente sem cura. 

Esse tanque era uma espécie de piscina medicinal muito popular, e as pessoas que lá frequentavam tinham um único propósito: buscar o alívio de seus males. Essas piscinas também eram chamadas de “santuários curadores” e eram comuns no tempo antigo. Talvez os sais minerais e a temperatura quente fornecessem ao corpo os nutrientes para promover a cura; talvez fosse apenas psicossomático, mas culturalmente era um lugar que fazia muito bem à saúde. 

Havia degraus na piscina descendo até a água onde os doentes se assentavam, esperando um estranho movimento da água que milagrosamente curava as pessoas. A água se agitava ocasionalmente, talvez por uma fonte subterrânea, como uma mola com fluxo irregular ou drenagem de outra piscina. Mas os enfermos acreditavam que, de tempos em tempos, um anjo descia até o tanque e agitava as águas. Uma multidão de enfermos e paralíticos buscavam uma única chance de se verem livres do mal que os afligia, e se aglomeravam por conta da crença que dizia: “O primeiro que entrasse, seria curado imediatamente”. Quando as águas eram agitadas, logo se iniciava uma disputa para ser o primeiro a banhar-se nelas. 

Os que não conseguiam caminhar, precisavam de ajuda para se aproximar do tanque. No início, contavam com a solidariedade dos familiares e amigos, mas com o passar do tempo, eram deixados à própria sorte. Esse era o caso de um paralítico, relatado na Bíblia, cujo nome não é mencionado e que sofria do mal há quase quatro décadas. Como não tinha ninguém que o ajudasse, por quase quarenta anos ficou ali esperando uma oportunidade de entrar no tanque, mas nunca teve a ajuda necessária para aproveitar o momento certo.

Nem sempre precisamos do que queremos

Seu caso associado à sua persistência chegaram ao conhecimento de Jesus, que ao vê-lo deitado, tomou a mesma iniciativa que teve com a mulher de Samaria, aproximou-se e lhe fez, como era seu hábito, uma pergunta:   

– Você quer ser curado? 

Esta é outra das perguntas de Jesus que se destina a revelar o coração de alguém. O que diríamos a Jesus se ele nos perguntasse se queremos ser curados de nossas próprias doenças? Se queremos nos livrar de nossos vícios e de outros problemas? Parece uma pergunta tola, mas ela esconde uma importante lição. 

Pense na pergunta de Jesus… Por que você perguntaria a uma pessoa gravemente doente se ele quer ficar bem? “Um sim!” parece ser a resposta óbvia! Mas acho que Jesus queria mais do que uma resposta Sim ou Não. Ele queria avaliar o desejo e a fé, pois nem todo mundo quer ser bem sucedido. Algumas pessoas gostam de ter piedade ou depender de outras pessoas; algumas pessoas estão relutantes em deixar a segurança familiar e explorar possibilidades para uma vida melhor. Talvez o homem tenha se acostumado com sua deficiência, e preferisse a dor a novas responsabilidades. É difícil impor a cura a uma pessoa que se sinta confortável com seu estado atual. 

Em um dos meus programas de treinamento, na primeira sessão, ensino os alunos a questionar seus clientes sobre o que eles querem alcançar com o processo de treinamento. Em seguida, ensino-os a usar algumas ferramentas ou perguntas para testificar se realmente estão dispostos a enfrentar os desafios e obstáculos que encontrarão pelo caminho até a conquista do objetivo. 

Nesses exercícios ressigficamos também todos os possíveis obstáculos que poderão encontrar pela frente. Não damos prosseguindo a nenhum treinamento sem ter a certeza de que realmente o coachee está disposto a se envolver totalmente no processo.

Já presenciamos por diversas vezes pessoas desistindo de seus objetivos iniciais, depois de fazer uma análise SWOT e ter uma visão mais ampla do que realmente aconteceria em suas vidas se caminhassem em direção a determinados objetivos. 

É curioso, mas existem muitas pessoas, que se pudessem ter um controle remoto como no filme “Click”, fariam o mesmo que o personagem fez no filme. O filme conta a história de Michael Newman (Adam Sandler) que é casado com Donna (Kate Beckinsale), com que tem Ben e Samantha como filhos. Michael tem tido dificuldades em ver os filhos, já que tem feito serão no escritório de arquitetura em que trabalha no intuito de chamar a atenção de seu chefe (David Hasselhoff).

Um dia, exausto devido ao trabalho, Michael tem dificuldades em encontrar qual dos controles remotos de sua casa liga a televisão. Decidido a acabar com o problema, ele resolve comprar um controle remoto que seja universal, ou seja, que funcione para todos os aparelhos eletrônicos que sua casa possui.

Ao chegar à loja Cama, Banho & Além, ele encontra um funcionário excêntrico chamado Morty (Christopher Walken), que lhe dá um controle remoto experimental o qual garante que irá mudar sua vida. Michael aceita a oferta e logo descobre que ela realmente é bastante prática, já que coordena todos os aparelhos. Porém Michael logo descobre que o controle tem ainda outras funções, como abafar o som dos latidos de seu cachorro e também adiantar os fatos de sua própria vida.

Tendo o poder nas mãos, Michael começa uma corrida desenfreada pelo sucesso e dinheiro, para enfim, ter tempo para a família e para si mesmo. “Avançar três meses da minha vida não irá fazer tanta diferença”, exclama Michael ao receber uma proposta em um projeto de arquitetura que irá prejudicar sua agenda familiar. O que ele não imaginava eram as consequências de abdicar este tempo para a conquista do sucesso. Com isso, ele passa a sofrer com as dificuldades e problemas criados pelo controle.

O filme é uma verdadeira lição divertida e agradável feita para toda família assistir. Na vida real, é muito difícil existir a segunda chance. E não adianta fazer escolhas acreditando que elas vão acontecer num passe de mágica ou num simples click de um controle remoto. Sempre existirá uma jornada que deverá ser trilhada para chegar a um determinado objetivo. E essa jornada é pavimentada com muitos desafios.

Muitas vezes, acreditamos que uma pessoa quer uma coisa, mas ao contrário do que parece, ela não quer! Desde que aprendi isso, quando atendo um cliente em um processo de treinamento, geralmente pergunto: “O que você quer alcançar?” “É isso mesmo que você quer?” Se a resposta não for satisfatória, submeto seu objetivo a uma análise swot, (uma sigla oriunda do idioma inglês, e é um acrónimo de Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). Até agora, mais de quarenta por cento das pessoas, desistem de continuar a perseguir tais objetivos quando visualizam os possíveis obstáculos. E aos que continuam, o sucesso é inevitável.

O caso do paralítico estudado nessa sessão não seria tão necessário fazer uma análise swot, mas nos mostra que mesmo em casos como esse, em que é óbvia a decisão, mesmo assim, Jesus não deixou de levá-lo a fazer essa ressignificação antes de tomar sua decisão. Analisar todos os ângulos de uma decisão importante a ser tomada, deveria ser um hábito importante na vida de qualquer pessoa que deseja o sucesso.

Nem sempre o que queremos é o que realmente precisamos. As vezes tomamos decisões baseadas na emoção. Esses sentimentos vão nos trair na maioria das ocasiões. Devemos tomar nossas decisões baseadas em nossa razão, usando nossa inteligência. 

A história do filme Click, é um grande lembrete da importância de entender nossas principais prioridades na vida e aprender que não adianta tentar avançar para chegar rapidamente em nossos objetivos.

Assista abaixo, uma ótima animação, que como no filme o Click, representa bem a importância de sabermos que precisamos estar dispostos a enfrentar os desafios que separam nosso estado atual de nosso estado desejado.

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